quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Blogueiro Magno Martins mostra o drama da estiagem em cidades pernambucanas


Há alguns dias, o jornalista Magno Martins começou uma verdadeira peregrinação por várias cidades do Estado, para mostrar a situação em que se encontram os sertanejos com a maior estiagem dos últimos 50 anos. Em seu percurso, o blogueiro mostra, por exemplo, o drama vivido pelos pecuaristas do município de Venturosa, que antes da seca ostentava o título de maior produtor de leite de Pernambuco, além de líder na produção de queijo. Com a seca, os fazendeiros dos municípios de Venturosa, Itaíba, Águas Belas, Pedra, Buíque e Tupanatinga, que juntos formam a segunda maior bacia leiteira do Estado, já não sabem mais o que fazer para manter o gado devido à falta de pasto. Os números impressionam. A produção de leite no Agreste Pernambucano sofreu uma redução de 55%, passando de 2,3 milhão de litros/dia para apenas 900 mil litros/dia.

No município de Pedra, o segundo maior produtor de leito da região, a situação também é alarmante. Por lá o gado magro e abatido, morre pelas fazendas, como contou ao jornalista o pecuarista Mauro de Almeida Silva, que segundo ele, perdeu 15 reses em menos de dois meses, contabilizando um prejuízo de R$ 20 mil. “Sem pasto e sem dinheiro para comprar ração, vi o meu gado cair no chão e não levantar mais de tanta fome”, contou o pecuarista.

No sítio Tará, zona rural da Pedra, Magno encontrou os jovens Wellington Araújo e Vado Pereira. Os rapazes contaram ao jornalista que resolveram viver da caça de peba e tatu, pegaram suas economias e decidiram comprar quatro cachorros bons de faro e de caça para se aventurar pela caatinga braba da região. “Hoje conseguimos pegar quatro pebas, que a gente vende fácil por R$ 70”, disse Vado exibindo de cima de sua carroça os quatro cães caçadores (foto acima). 

Em Venturosa, Magno conheceu Sebastião da Silva Nunes, de 47 anos, morador do município de Buíque. O pecuarista contou que na terra onde morou o escritor Graciliano Ramos, autor do livro Vidas Secas, o desespero já toma conta dos seus colegas. “Nem xique-xique tem mais na minha área”, confessa, adiantando que não tem mais dinheiro para comprar ração nem farelo.

Ao chegar a Custódia, o blogueiro conta que se deparou com uma cena lamentável: para sobreviver, algumas reses matavam a fome comendo lixo (foto). A cidade de 30 mil habitantes é mais uma que sofre com o colapso de água. Por lá, dezenas de carros-pipas não param. Da barragem do Marrecas, de propriedade do DENOCS, eles retiram a água que abastece a zonas urbana e rural. Um caminhão pipa com 50 mil litros de água custa R$ 70. “Tem rua que abasteço até três casas”, conta o pipeiro Marcos Antônio Vieira.

No distrito de Serrita, a 500 Km do Recife, o município famoso por celebrar a tradicional Missa do Vaqueiro, em homenagem ao vaqueiro Raimundo Jacó, está sendo literalmente dizimado pela seca. Lá, o blogueiro Magno conheceu a triste história do pecuarista Djalma Cidrim, de 70 anos, que mora por aquelas bandas há mais de 30 anos. 

O pecuarista, em menos de 40 dias perdeu 200 animais, entre bois vacas e bezerros. A fazenda de seu Djalma fica localizada a 40 km do centro de Serrita, na localidade Barro Vermelho, e virou um verdadeiro cemitério de gado (foto acima). Não há notícia no Nordeste de nenhum pecuarista que tenha tido maior perda de gado e tamanho prejuízo. “Estive por lá e me depari com mais de 40 animais encurralados mortos, um próximo ao outro, formando um cenário de horror nunca visto na região. Ele tem um plantel de 400 cabeças de bovinos também igualmente ameaçados de morte pela mesma sina: a falta de pasto na região”, contou Magno.
  
Próximo à fazenda de seu Djalma, Magno conheceu o fazendeiro Luiz Benedito dos Santos, de 62 anos. O pecuarista tentava salvar uma vaca que recentemente havia parido e acabou morrendo pouco tempo depois (foto). “Está já é a terceira que perco em menos de 20 dias. Esta era muito boa de leite e valia R$ 2,8 mil. Perder uma criação é como perder um filho. A dor também é muito grande porque a gente se apega”, desabafa emocionado seu Benedito.

Em Serrita, o único alimento que ainda resta para o gado é mandacaru queimado. Antes da seca se agravar, mandacaru era oferecido de graça aos fazendeiros. Hoje, custa R$ 70 uma carrada e não se encontra mais com tanta facilidade. (Informações e fotos retiradas do   www.blogdomagno.com.br) 

Um comentário:

  1. se fosse dos pobres eles punian,mas como e de rico,pode tirar a agua ilegalmente mas ninguem ve isso,so os pobres que se ferram.

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