
Há alguns dias, o jornalista Magno Martins
começou uma verdadeira peregrinação por várias cidades do Estado, para mostrar a
situação em que se encontram os sertanejos com a maior estiagem dos últimos 50
anos. Em seu percurso, o blogueiro mostra, por exemplo, o drama vivido pelos
pecuaristas do município de Venturosa, que antes da seca ostentava o título de maior
produtor de leite de Pernambuco, além de líder na produção de queijo. Com a
seca, os fazendeiros dos municípios de Venturosa, Itaíba, Águas Belas, Pedra,
Buíque e Tupanatinga, que juntos formam a segunda maior bacia leiteira do
Estado, já não sabem mais o que fazer para manter o gado devido à falta de
pasto. Os números impressionam. A produção de leite no Agreste Pernambucano sofreu
uma redução de 55%, passando de 2,3 milhão de litros/dia para apenas 900 mil
litros/dia.
No município de Pedra, o segundo maior produtor
de leito da região, a situação também é alarmante. Por lá o gado magro e
abatido, morre pelas fazendas, como contou ao jornalista o pecuarista Mauro de
Almeida Silva, que segundo ele, perdeu 15 reses em menos de dois meses,
contabilizando um prejuízo de R$ 20 mil. “Sem pasto e sem dinheiro para comprar
ração, vi o meu gado cair no chão e não levantar mais de tanta fome”, contou o
pecuarista.
No sítio Tará, zona rural da Pedra, Magno encontrou
os jovens Wellington Araújo e Vado Pereira. Os rapazes contaram ao jornalista
que resolveram viver da caça de peba e tatu, pegaram suas economias e decidiram
comprar quatro cachorros bons de faro e de caça para se aventurar pela caatinga
braba da região. “Hoje conseguimos pegar quatro pebas, que a gente vende fácil
por R$ 70”, disse Vado exibindo de cima de sua carroça os quatro cães caçadores
(foto acima).
Em Venturosa, Magno conheceu Sebastião da Silva
Nunes, de 47 anos, morador do município de Buíque. O pecuarista contou que na
terra onde morou o escritor Graciliano Ramos, autor do livro Vidas Secas, o
desespero já toma conta dos seus colegas. “Nem xique-xique tem mais na minha
área”, confessa, adiantando que não tem mais dinheiro para comprar ração nem
farelo.
Ao chegar a Custódia, o blogueiro conta que se
deparou com uma cena lamentável: para sobreviver, algumas reses matavam a fome comendo
lixo (foto). A cidade de 30 mil habitantes é mais uma que sofre com o colapso de água.
Por lá, dezenas de carros-pipas não param. Da barragem do Marrecas, de
propriedade do DENOCS, eles retiram a água que abastece a zonas urbana e rural.
Um caminhão pipa com 50 mil litros de água custa R$ 70. “Tem rua que abasteço
até três casas”, conta o pipeiro Marcos Antônio Vieira.
No distrito de Serrita, a 500 Km do Recife, o município
famoso por celebrar a tradicional Missa do Vaqueiro, em homenagem ao vaqueiro Raimundo
Jacó, está sendo literalmente dizimado pela seca. Lá, o blogueiro Magno
conheceu a triste história do pecuarista Djalma Cidrim, de 70 anos, que mora
por aquelas bandas há mais de 30 anos.
O pecuarista, em menos de 40 dias perdeu
200 animais, entre bois vacas e bezerros. A fazenda de seu Djalma fica
localizada a 40 km do centro de Serrita, na localidade Barro Vermelho, e virou
um verdadeiro cemitério de gado (foto acima). Não há notícia no Nordeste de
nenhum pecuarista que tenha tido maior perda de gado e tamanho prejuízo. “Estive
por lá e me depari com mais de 40 animais encurralados mortos, um próximo ao
outro, formando um cenário de horror nunca visto na região. Ele tem um plantel
de 400 cabeças de bovinos também igualmente ameaçados de morte pela mesma sina:
a falta de pasto na região”, contou Magno.
Próximo à fazenda de seu Djalma, Magno conheceu
o fazendeiro Luiz Benedito dos Santos, de 62 anos. O pecuarista tentava salvar
uma vaca que recentemente havia parido e acabou morrendo pouco tempo depois
(foto). “Está já é a terceira que perco em menos de 20 dias. Esta era muito boa
de leite e valia R$ 2,8 mil. Perder uma criação é como perder um filho. A dor
também é muito grande porque a gente se apega”, desabafa emocionado seu Benedito.
Em Serrita, o único alimento que ainda resta para o gado é mandacaru queimado. Antes da seca se agravar, mandacaru era oferecido de graça aos fazendeiros. Hoje, custa R$ 70 uma carrada e não se encontra mais com tanta facilidade. (Informações e fotos retiradas do www.blogdomagno.com.br)




se fosse dos pobres eles punian,mas como e de rico,pode tirar a agua ilegalmente mas ninguem ve isso,so os pobres que se ferram.
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