
Nem a chuva que teimou em cair na Capital do Sertão foi capaz de abalar a fé de centenas de pessoas que lotaram a Praça da Bandeira, no centro da cidade, para dizer sim a vida e não ao aborto. O movimento da Igreja Católica, que ganhou o nome de Grito pela Vida, Contra a Morte de Inocentes, aconteceu simultaneamente em vários pontos do país no sábado (12), dia dedicado a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e teve como principal objetivo combater as práticas de aborto e mostrar a posição da igreja sobre o tema que há muito gera polêmica na sociedade. Em Arcoverde, participam do evento o padre Adilson Simões, o pároco local, padre Adjailton, o bispo Dom. José Luiz, a prefeita Madalena Britto, além de outros padres de Arcoverde e também de cidades vizinhas. O movimento se encerra com uma caminhada, que foi até a Matriz de Nossa Senhora do Livramento.

Para o padre Adilson Simões, não foi nenhuma surpresa ver a praça lotada, mesmo com a chuva. “Eu já esperava essa multidão e estou muito feliz. Essa chuva é uma benção, não atrapalhou em nada. O povo está aqui e vamos fazer uma grande marcha até a Praça do Livramento”. O religioso, que se tornou um dos líderes mais carismáticos da Capital do Sertão fez questão de deixar uma mensagem para os fiéis: “Tenham esperança e coragem. Vivam a vida em todas as instâncias, desde a gestação até o término natural”. Segundo o padre, o evento não se limita apenas a caminhada. Nos próximos dias haverá seminários, palestras, simpósios e debates nas escolas, paróquias e comunidades.

Para o Bispo Dom. José Luiz, a chuva que caia era um sinal dos céus. O líder religioso não escondeu a felicidade de ver a praça lotada e parabenizou os arcoverdenses pelo evento. “Esse é um momento muito importante. Acho que o céu já está dizendo... No Sertão quando chove, é sinal da Graça e da Benção de Deus. Deus está muito contente com essa multidão de irmãos e irmãs cristãos, que vão dizer não a morte e lutam para que a vida seja respeitada, para que os nossos governantes contemplem um pouco mais a beleza da vida, desde a sua concepção até o fim natural. Acho um gesto muito bonito do povo de Arcoverde e dessa região, que na verdade, é um povo de muita fé e que não aceita a morte legalizada no nosso país”, declarou o Bispo.

Presente também no evento, a prefeita Madalena Britto exaltou a presença da população na praça e classificou o protesto como positivo. Para a gestora, os arcoverdenses e a grande maioria dos brasileiros são contra essa prática. “Estamos em praça pública, em um protesto positivo, que teve a iniciativa do padre Adilson Simões. Nós protestamos contra o aborto, a favor da vida, e mesmo com essa chuva a população compareceu. Sabemos que desde que a criança é gerada, ela tem direito a vida, e por isso nós estamos aqui lutando e mostrando a nossa opinião”, justificou a prefeita.

O pároco local, padre Adeildo Ferreira, não escondeu a satisfação de ver cerca de três mil pessoas reunidas na Praça da Bandeira, em uma tarde chuvosa, para protestar a favor da vida e contra o aborto. O religioso lembrou que a mobilização acontece no dia dedicado à padroeira do Brasil. “Estou maravilhado com tudo o que estou vendo aqui. Esse dia é especial para nós porquê a festa não está acontecendo só no Brasil com Nossa Senhora Aparecida, mas hoje o Santo Padre, Papa Francisco, está consagrando o mundo ao Coração Imaculado de Maria”. Padre Adeildo destacou o grande número de jovens na manifestação. “Eu fico muito feliz em ver, mesmo chovendo, esta multidão, sobretudo a maioria de jovens, nessa luta conosco, em favor da vida”.

A mobilização contou com fieis das três paróquia da cidade (Livramento, São Cristóvão e São Geraldo), e as comunidades do CEDEC e da Fundação Terra. A Comissão diocesana de Pastoral para a Vida e a Família está recolhendo assinaturas para o ‘Abaixo assinado em defesa da vida humana’. A iniciativa está sendo realizada desde o início do mês de setembro nas paróquias, grupos e pastorais. Após recolhido o documento será encaminhado à bancada de deputados e senadores de Pernambuco. Entre as reivindicações feitas está a aprovação do Estatuto do Nascituro (PL 478/2007), garantindo o direito à vida desde a concepção.

Os religiosos são contra a reformulação do artigo 124 do Código Penal, que permitirá a interrupção da gravidez até 12 semanas de gestação, caso um médico ou psicólogo avalie que ela não tem condições “para arcar com a maternidade”. A mudança também garante às mulheres que possam interromper uma gestação até os dois meses de um anencéfalo ou de um feto que tenha graves e incuráveis anomalias para viver.
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